sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Case-se com uma pessoa competente.

A Filosofia do bom casamento é cada um viver para fazer o outro feliz
Cada qual se esforçar pela felicidade do outro
Então antes de assinar o contrato, verifique as habilidades e competências do(a) candidato(a) a quem entregará tanta responsabilidade.Mas lembre-se, você também estará sob contrato, portanto, não vacile.
O período de experiência, denominado neste caso, namoro, não é garantia de sucesso.
Avalie sempre as qualidades, mas não minimize os defeitos.
A experiência ensina que, com o passar do tempo as qualidades não chegam a surpreender, mas os defeitos, esses sim, se intensificam.
Garantias? Não há. A vida não é garantida.
Férias? Não existem, ao menos regulamentadas pelo papel, mas é sabido que uns dias de afastamento por motivos alheios trazem a tona a saudosa saudade.
O prazo de vigência não é determinado, afinal o casamento se constrói ou se destrói a cada oportunidade de um novo dia.
Egoísmo e casamento não andam de mãos dadas.
Casamento ideal é um cabo de guerra empatado, do contrário, se puxar muito forte se machuca na trombada, se soltar demais a corda se distancia do outro.
Pré-requisitos: Equilíbrio, tolerância, companheirismo.
Acordar disposto a fazer dar certo, todos os dias.

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Decididamente o sol me faz falta.
Não sou bronzeada e não pratico esportes náuticos,
Não tenho energia solar em casa
E hoje em dia, graças à secadora a gás, não dependo tanto do varal.
Então por que é que este danado faz tanta diferença em minha vida?
Não curto calor excessivo, mas a luz do sol é para mim tão fundamental
Como se eu dependesse da fotossíntese...
Isso! Entendi! Sou folha, sou árvore, por isso gosto tanto delas!
Preciso do sol para me energizar, obter minha glicose, me alimentar.
Sem ele não sou capaz de fazer minhas trocas, de retirar do dia a dia
Os pensamentos e emoção carbônicas
Nem devolver ao ambiente minha vitalidade oxigenada.
Meu sangue clorofilado precisa de sua luz
Venha sol, venha nos dar o ar de sua graça.
Alegrar os pássaros, secar a roupa
Aquecer corações.
Te aguardo sol, mesmo que seja amanhã.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Projeto Aprovado!



Você é o arquiteto da sua vida, com acesso a recursos ilimitados para construir aquilo que desejar.
Capriche em seu projeto, construa escadas largas com degraus sólidos, afinal elevadores sobem rápido mas despencam de uma vez.
Abra portas e janelas alternativas para que o sol entre por todas elas.
Canalize seu esgoto de pensamentos ruins para que sejam descartados imediatamente.
Escolha fontes energéticas renováveis e inesgotáveis e mova-se.
Dê espaço a todos os segmentos, família, amor, trabalho, amizade, deixe até um lugarzinho para o imprevisto, pois a vida precisa dele.
Ponha interfone e câmera na porta de entrada e só permita mesmo que entrem aqueles que te fazem bem.



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O VESPEIRO



Um vespeiro fala por si só.

Um vespeiro não precisa de uma placa dizendo "MANTENHA DISTÂNCIA - PERIGO".
Vespeiros existem, não podemos ignorá-los, mas só os tolos pensam que fuçando nele sairão ilesos.
Só os prepotentes acham que darão cabo dele porque conhecem onde se metem.
Sábios fecham as portas e janelas e se protegem do ataque dolorido das vespas enfurecidas mas levam fama de omissos.
Prefiro ser fumaça que dispersa as vespas sem levar ferroada.
Mas serei fumaça bem esperta, aquela que sai pela chaminé, de dentro da casinha, protegida

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pessoal, andei ausente, sem tempo para colocar aqui algo de interessante. Agora estou de volta por uma boa causa... O lançamento do meu mais recente livro, assim que souber detalhes postarei aqui um convite para que vocês possam me dar a honra de sua presença. Por enquanto segue resenha da editora:


Poemas da Cabeça da Mamãe -
de Simone Mendonça Diniz


Neste livro o pequeno leitor entrará em contato com a arte da poesia de forma simples e divertida!


A cada página ele irá experimentar momentos de puro prazer em uma leitura leve e de fácil entendimento, a autora aborda temas transversais e ambientes cotidianos para que a criança se identifique e vivencie com prazer a experiência da leitura.


As ilustrações são educativas e no final do livro a criança tem um espaço para produzir seu poema e se aventurar mais na deliciosa arte de escrever.


Estimule a imaginação e a cognição dos pequenos!


Um presente para as crianças, indispensável para pais e educadores.


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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nossas Malas

Olha-me no seu espelho.
Olhe-se no meu espelho.
Vejamo-nos com outros olhos num dia difícil.
Admiremo-nos com novos olhos no dia a dia
Chega de imagens prontas de nós mesmos
Enjoativas figuras pré-moldadas
De respostas prontas.

Inove.
Nem que seja da boca pra fora
Acostume-se em novos sapatos
Figurino emprestado
Carcaça alheia
Feridas diferentes


Cale-se
Retroceda diante do inevitável
De um bom tempo
Ao tempo que não pára
E quando libertar-se
Verá quem era refém de quem.


Inspire.
Expire
Inspire-se
Aceite o que é seu por dom,
Escolha, direito, defeito ou sina.
Exalte-se em sua existência


Ame e Perdoe
Ceda e Exija
Também Peça
Faça uso de sua fraca franqueza
Com forte intenção, ainda que incompreendida.


Olhe-se em seu próprio espelho
Enxergue-se dentro de seu íntimo reflexo
Verá que não há solidão do ser
Que dentro de você já estão todos
Faces e facetas,
Amigas ainda que imperfeitas.
São companheiras de sua jornada
Mas só se você assim os permitir
Afinal, a bagagem desta viagem é sua
Mas se puder, aceite um carrinho de mão.

Promessas pra Amanhã

Amanhã é dia das Crianças
Dormirei de pantufas
Para, quem sabe,
Despertar em pés infantis


Esquecerei de escovar os dentes
E sairei descabelada
Atrás de um mimo esperado
Tomara seja um brinquedo e não um pijama novo.

Comerei a sobremesa
Muito antes da comida
E limparei o prato
Só pra poder ver o fundo decorado de balões

Levar-me-ei ao circo
Onde criança que sou
Fugirei dos medos
Nada de feras, ou trapézios
Farei graça para o palhaço
E andarei na corda bamba
Só pra me lembrar dos adultos

Amanhã não farei lição de casa
Nem pagarei contas,
Não tirarei a maquiagem
Nem passarei meus cremes
Perfeita liberdade infantil


Vou tomar gelado
Me lambuzar de sorvete
Não contarei calorias
E medirei minha satisfação
Com duas mãos sobre a barriga cheia


Amanhã é outro dia
E depois dele, outro
Guardarei minha criança
Na risada bem dada
E no saber relaxar


Terei sonhos gigantescos
E ego exacerbado
E quando tiver pesadelos
Buscarei colo
E pegarei no sono profundo e restaurador,
Sono de criança.
E nos pés,
Permanecerão as pantufas.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Caminhos Subcutâneos

Sinalizada em vermelho a marca aparece
Sabido era que viria uma hora ou outra,
Marcar sua estada definitiva
Tatuagem natural
Registra uma fase, ora pelo crescimento rápido,
Chamado estirão juvenil
Ora pelo esforço da cútis em esticar-se.
Maior órgão do corpo humano abrigava um, agora veste dois,
Moldando-se a novas condições.
Estressa-se em seu limite, buscando a total cobertura,
Deixando permanentes rastros de seu esforço sobre humano.
Pele
Recobre o ventre dilatado e cria suas marcas
Vermelhas de início destacam-se diante da beleza da vida que está por chegar.
Arroxeadas se tornam diante da vergonha
Imperfeição estética.
Erosão.
Rachaduras, trincas que se dão pelo abalo sísmico.
Mudanças definitivas como a própria existência
Estrias da vida.
Que venham as marcas, imprimam assim como em um grafite.
A mensagem desta nova fase.
Definitiva.
Marquem nossa pele como tatuadoras talentosas em suas
Figuras tribais
Tribo mulheres,
Tribo mães.
Indecifráveis códigos aos olhos alheios
Serão criptografadas as mensagens
De bem vinda ao mundo real
Onde estrias são marcas de sua história,
Linhas da sua vida.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pingo

Há gente pra tudo na vida.
Gente que cuida de gente,
Gente que põe bebê no lixo.
Gente que sai da casa pra levar comida a quem é desabrigado
Gente que leva álcool e fósforo.
Gente que judia de animais,
Gente que os ama a toda prova...

Na semana passada perdemos um ente
Nossa família não está mais tão completa
Afinal, há vinte anos, isso mesmo, vinte anos
Desfrutávamos da companhia de nosso gato Pingo.

Pingo completou vinte anos em Maio, e apesar de velhinho
Ainda era nosso bebê.
Aquele que não podia ver alguém aconchegar-se no sofá e já vinha em busca de colo.
Dono de belos olhos verdes, corpo todo branco, narizinho rosa, foi adotado por nós após sua mãezinha, Kika, ter dado a luz a cinco lindos gatinhos.
Parêntese importante, Kika ainda está Viva, em seus vinte e um anos, divide hoje sua morada e sua velhice entre duas casas. Chamo de guarda compartilhada, a da minha mãe e sua vizinha de muro que a acolhe, onde também tem caminha, comida e carinho.
Kika teve seus bebezinhos sendo o Pingo o último a nascer.
Parecia desde o início diferente dos outros, menorzinho, deixado pra trás nas mamadas,
Quando era empurrado pelos irmãos, rolando para o lado, ficava com a língua enroladinha na forma da teta da mãe, olhos fechados, parecia demorar a perceber que não estava mamando.
Necessitou, portanto, de atenção especial por parte de nós, seus cuidadores, que o colocávamos pra mamar em separado. Resumindo, Pingo ficou o maior de todos, e foi mimado.
Ninhada doada, um a um, os irmãos foram saindo, cada qual com sua nova família, e o Pingo ficou.
Ficou conosco por suas sete vidas.
Esgotou cada uma delas em sua vida de descobertas, quedas, atropelamento, envenenamento, brigas, e sobreviveu.
Dono de um andar leonino, sabedor de sua importância hierárquica na família, usufruiu de privilégios sobre os outros animais da casa. E na verdade, nenhum deles parecia se importar. Era respeitado por todos os sete cães com quem conviveu durante sua vida.
Foi-se nosso bebê velhinho.
Lindo, Pingo. Foi sereno.
Deixou a casa triste e o sofá mais frio.
Descansa hoje no céu dos bichos.


sábado, 2 de julho de 2011

E agora? Férias!!!

Julho, mês de férias.



Merecidas férias dos estudantes, nem sempre podem ser compartilhadas pelos adultos. Iniciam-se as férias das professoras e começam então os dias de trabalho extra para pais, avós, ajudantes do lar, todos com a responsabilidade de entreter a molecada em período integral.


Se não há como viajar, agora é a melhor hora de resgatar atividades familiares. Passeios, caminhadas, uma ida até o parque mais próximo nos permite tempo único, de mãos dadas, riso solto e cansaço físico.


Promova uma sessão se cinema nostalgia, mostrando aos filhos o que havia de mais empolgante nos filmes de sua época. Aposto que o programa vai gerar polêmica, e se eles disserem que Caça-Fantasmas era ridículo, faça-os chorar com ET!


Brincadeiras culinárias também combinam com férias, afinal, um bolo no meio da tarde agrada a todos e com a participação dos pequenos fica tudo mais animado. Aprender a quebrar ovos, mexer com farinha, lamber colheres com restinho de recheio, decorar e se lambuzar, é tão marcante quanto ganhar um presente.


Viagens curtas, rever familiares distantes, respirar um ar diferente, comer comida com outro tempero, nos faz mais abertos a respeitar as diferenças.


Jogos são uma ótima pedida. Os jogos de tabuleiro promovem a competitividade, aliada a diversão, permitindo ainda o olho no olho, as sensações táteis de manusear cartas, dados, pinos, a habilidade de desvendar regras, e a pausa para os petiscos.


Jogos de vídeo-game são também aliados na missão de divertir e não podemos nos iludir, também estimulam a coordenação, a interpretação de regras e a competitividade. Tão criticado pelo uso excessivo, o jogo virtual não traz malefícios desde que exista a moderação na carga horária dedicada a ele e o acompanhamento dos pais para a seleção de jogos inteligentes que estimulem a criação, a resolução de mistérios, à paciência da repetição até que se consiga passar de fase.


Férias é tempo de álbum de figurinhas, gibis, almanaques de atividades.


Tempo de renovar a caixa de lápis de cor, o guache, comprar um pacote de folhas e promover uma galeria de obras expostas na parede, enaltecendo o talento de seus pequenos artistas.


E tão desejadas quanto perfeitas, as viagens de férias são como uma vitamina, reparadora, estimulante e necessária.


Viagens pedem planejamento, o que envolve a todos em preparativos já curadores, que vão de reciclar as roupas, renovando guarda roupas, a limpeza de armários, malas, e organização de espaços, afinal, a gente leva conosco o que há de melhor, mais novo, mais bonito e confortável.


Férias pedem controle financeiro, a curto e longo prazo. Economia das pequenas e grandes despesas, e se os filhos oferecerem, aceite a colaboração de seus cofrinhos ao fundo de reserva. Terá seu valor.


Além disso, as férias familiares são exercício de democracia, onde escolhas de destinos, decisão sobre passeios, promovem a discussão do que é interesse de um e benefício de todos.


Como se vê, férias existem mesmo para nosso crescimento, uma pausa, uma oportunidade de revermos nosso cotidiano, abrindo-o a novas possibilidades, novas atividades, ajustando dentro dos compromissos uma ou outra mudança que fará de nossas horas livres, ou de nossos próximos finais de semana, pequenas férias emocionais, recheadas de contato, da experimentação e da convivência em família.


Que venha essa e as próximas férias, e que entre elas, possamos encontrar muitas mini-férias em nossas vidas para um fôlego novo de sobrevivência.

domingo, 12 de junho de 2011

Filhas, Mães, e as Mães das Mães.

Era uma vez uma neta, que tinha saudade da avó.

Uma avó como tantas, mas igual a nenhuma.

Que fazia bolinho de chuva em plena tarde ensolarada.

Que contava histórias e sabia desenhar.

Avó pra toda hora. Pra nadar em água fria, pra tomar banho de chuva, pra ensinar jogar buraco e brincar de tomar chá.

Avó que era mãe da mãe. Mãe que era a melhor.

Mãe que sabia dar colo, que ensinava o certo, que estava sempre por perto e era tudo de bom. Mãe que ensinava a rezar, que sabia escutar, que buscava atender a quem viesse precisar.

A neta virou mãe, e veio na mãe buscar a ajuda no dia-a-dia, para os filhos educar.

A mãe de antes é avó, que também sabe agradar, que presta atenção nos gostos daqueles que vem pro seu lar.
Sabe o prato predileto, dos filhos, do genro ou dos netos e não se esquece das coisas, das boas e das ruins.
Era uma vez uma neta, filha da filha da avó, que uma noite falava pra mãe:
- Minha avó é a melhor avó do mundo inteiro.
E a filha, que assim sentia em relação a sua mãe, perguntou:
- E você já falou isso pra ela?

- Eu não. Mas ela sabe.

E a neta, Sábia, apesar de tão pequena, fez a mãe pensar que sempre é bom lembrar, mesmo que o outro já saiba, nunca enjoa de escutar...



“ Obrigada minha mãe, você é a melhor mãe do mundo.”
Se a partir de hoje não desse mais para se pedir desculpas.
Se tudo fosse tão definitivo quanto o bloco de pedra esculpido pelo artista
E se nenhum removedor atenuasse a intensidade da tinta
E se a única chave da porta se perdesse
No fundo a vida já é assim
Palavras ditas não podem ser retiradas
Se mal ditas, malditas sejam
Mas ainda podem ser perdoadas
Esquecidas, suavizadas
Tomara...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dé - pra você!

Bem vinda a sua casa amiga
Bem vinda ao seu lar
Limpe os pés no capacho da porta
E deixe pra fora o que houver de ruim

Aconchegue-se aos seus
E abrace seus bens
Presentes de Deus
Bens maiores, seus tesouros
Seus amores.

Festeje e vibre
Feche a porta
Recolha-se em sua alegria intima
Festeje e Vibre
Escancare a porta
Receba os que torceram por este dia.

Acenda as luzes e estréie o show
Apague as luzes e curta o silêncio
Suje e limpe, mude as coisas de lugar
Espalhe as fotos, tome posse,
Esparrame-se no sofá.

Seja bem vinda
A casa é sua, agora realidade
Feliz retomada
Nova morada
Felicidades família amada.


ps: reconhece a cor?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Procura-se o cachorro do meu irmão

Procuro o cachorro do meu irmão
Sempre foi dócil, do tipo amigo, até que já na fase adulta, conhecendo a primeira cadela no cio de sua vida, caiu no mundo correndo atrás da biscate abanando seu rabinho aos caprichos da mesma.


Assim como cachorro em porta de padaria, babando pelo frango assado de domingo, se deixou levar pelo aroma da armação, ludibriado pela certeza de que um amor e uma cabana o acolheriam por toda a vida, esquecendo-se da família, dos valores, de todo o resto.

Totalmente domesticado, levou a prole pra longe, em terra de outros bichos, criados pela besta fera, fomos privados do contato com os filhotes, hoje já quase adultos.


Caso encontrem a cadela, que já era meio rabujenta, podem dar um bom chute no rabo, por minha conta.


Caso o encontrem, informem que a família ainda busca por ele, apesar de saber que cachorro estranho não é de confiança, estamos vacinados, e sempre teremos as portas abertas para seu retorno.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Se

Se não é o que penso que és
Deixe me ver sua verdadeira alma
Olha-me por um instante e me dê sua íris
Dentro dela verei tua verdade

Se não sabes o que me dizer
Deixe-me roubar tuas palavras
Cala-te por um instante e me dê seus lábios
Em um beijo terei tua mensagem

Se não me vês como sou
Lava teus olhos com mel
Adoce a vista antes de me fitar
E enxergue o melhor de mim

Se nada disso fizer sentido
Saia então de minha vida
Siga tua caminhada
E nem ouse olhar para trás

Pois o que busco pra mim
São olhos capazes de ver
Sedentos por me conhecer
Cegos para meus defeitos

Boca que só cale se eu assim pedir
Coadjuvante de minha jornada
Parceira do meu ser
Que saiba mais que falar,
Me beijar e fazer sorrir.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bicho Esquisito


“Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra” já dizia Rita Lee em seu sucesso “ Cor de Rosa Choque”.


Nós mulheres, somos uma espécie carregada de nuances. Ontem irritadas, hoje felizes, amanhã a melancolia poderá assolar nossas vidas nos fazendo sentir ínfimas, pequenas e insignificantes até que a próxima visita ao salão de cabeleireiros nos reforce a certeza de que somos poderosamente lindas.


Atribuímos a TPM parte de nossa mudança de humor. A Tensão Pré Menstrual tornou-se tão debatida e difundida que chega até a ser álibi atenuante de culpabilidade em crimes.


Diriam os antigos que o sangue nos sobe a cabeça antes de se esvair de nossos corpos, nos tirando a razão. Digo que o sangue é o choro de tantas mulheres que sonham com a esperada gravidez.
Sangue chato que teima aparecer em fins de semana de sol e passeio, manchando nossas roupas e nossa alegria.
De todo não é ruim, já que tantas o aguardam como um alívio na alma por saber que desta vez escaparam de sua irresponsável aventura em não se precaver.
O sangue de cada mês nos prepara para os sangramentos da vida.
Sangramos por nossos filhos, em seu nascimento e a cada momento difícil de suas vidas, em que tentamos puxar para nós suas dores.
O vermelho cor de sangue, destacado em nossos lábios e unhas, nos torna vampiras de atenção, destacando-nos em meio aos demais seres.
“Um sexto sentido maior que a razão” ainda diz a música, dotadas da capacidade de arrepiar, pisar no freio e mudar o curso, sentimos o que nem sabemos definir, a intuição em nós mulheres é nosso guia, ainda que nos torture.
“Gata borralheira,você é princesa, dondoca é uma espécie em extinção”.
Seja guerreira, mas vá a manicure, use a cabeça mas não deixe de retocar os cabelos, enfrente a reunião com seu melhor perfume, demita e peça demissão com os lábios hidratados e as palavras adoçadas por uma pastilhinha de duas calorias.


Use salto nas horas de briga, eleve-se, mas não aposente o chinelo amigo ao retornar ao lar. Use tênis pra correr dos problemas e uma simples sapatilha em dias de auto estima já elevada.
E sinalize os maus dias, pra que todos a deixem em paz:
“Não provoque! É Cor de Rosa Choque!”





segunda-feira, 18 de abril de 2011

Beijo, tchau!


No início do ano, na primeira reunião de pais do colégio dos meus filhos, a professora explicava a todos, as regras e normas do regimento escolar, que entre outras coisas proibia o uso do celular pelos alunos. Iniciou-se então um questionamento sobre a necessidade real de nossas crianças e adolescentes carregarem hoje um aparelho que não existia há quinze anos. A popularidade do celular estabelece atualmente uma nova tendência de comportamento social que estamos assumindo sem senso crítico. Nós pais, atendemos ao clamor de nossos pimpolhos, cedendo e adquirindo aparelhos que servirão para uma espécie de monitoramento a distância, não nos damos conta dos prejuízos que esta aquisição poderá proporcionar aos mesmos.


Certo é que o telefone é para a grande maioria uma espécie de artefato de segurança, podemos rapidamente falar com quem precisamos, sem necessitar do uso de um telefone público, que distante, nem sempre está apto ao uso, danificados propositalmente por vândalos sem educação social, mas isso é conversa pra outro dia. A partir desta facilidade abrimos um leque de efeitos colaterais desta tecnologia. O principal deles é a alimentação da ansiedade que consome nossas vidas, especialmente a dos jovens, que por si já são imediatos em suas urgências. Através do aparelho eles buscam agendar seus compromissos, contar fatos, obter respostas, não agüentam aguardar o tempo de digerir seus próprios sentimentos e através de torpedos querem a opinião de outros, como que um alívio ao que sua cabeça não suporta sozinho.


Não vou nem entrar em assuntos mais pesados como a prática de “sexting”, modalidade cada vez mais comum entre os jovens que trocam mensagens e fotos de cunho sensual ou erótico, colocando em risco sua imagem e trazendo prejuízos psicológicos incalculáveis ainda em longo prazo.

Um dos questionamentos que a professora colocou aos pais é o quanto fazemos uso deste equipamento para nos esquivar de nossas responsabilidades. O celular nos permite o atraso justificado, abonado, e desde que existem, podemos deixar os filhos aguardando na escola porque estamos no trânsito. Engarrafamentos sempre existiram e filhos sempre souberam aguardar pelos pais, sem que isso fosse o fim dos tempos. E os pais sempre tiveram compromissos e sabiam priorizá-los, sem usar de recursos de desculpas via SMS.


O jantar era o momento de contar as ocorrências do dia e ninguém precisava digitar, enviar, responder, ao final de cada frase. Chamava-se conversa, este hábito cada vez mais em desuso. Não se falava tantos “te amo” como hoje em dia, mas um bom colo dizia tudo, a pontualidade, a presença, falavam por si.

O diálogo a seguir deveria ser cheio de abreviações e terminologias que desconheço, nesta nova linguagem teclada e apressada, permitam-me o uso coloquial:

Vibra o celular, mensagem:

- mãe, acabou a aula, você vem me buscar?

- claro, to chegando.

- sim, só avisando, ainda nem desci, to guardando o material. Tem almoço em casa ou vamos passar no Mac?

- Não sei, depois a gent vêe (mãe teclando descuidada ao volante!)

- tá só pra saber se pode depois me levar pra comprar um tênis novo e tb pra lembrar que amanhã você tem que dar dinheiro para pagar o passeio da escola.

- ok, ok

- então tá! Quando chegar chama, to esperando na cantina.

- ok NÃO vai commeerr nadaa (mãe aflita teclando enquanto dirige! Olha a multa!)

- relaxa! Te amo. Beijo. Fui!

- também te amo!

Mãe chega, avisa. Filha entra no carro:

- oi

- oi

Silencio no veículo. Filha com os fones de ouvido ouve música do aparelho enquanto tecla com as amigas que acabou de deixar na escola. Antecipada, a conversa banal deixou de abrir portas nesta comunicação e isso está cada vez mais habitual.


O celular não é vilão, mas também não é amigo, tampouco terapeuta. Cabe a nós a observação do seu uso pelo benefício das relações.

Mais uma para as nossas cabeças de pais, sempre pensantes.

Se liga, me liga, beijo, fui! .


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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mãe de primeira viagem!


Quem já é mãe sabe que nem tudo são flores quando se trata do período pós-parto.

Se antes todos os cuidados estavam voltados para você, agora, com o nascimento do bebê toda a atenção está focada neste pequeno ser que arrebata os corações de toda a família.

O corpo ainda não corresponde a sua expectativa, afinal, o bebê saiu, mas parte da barriguinha ainda está lá.

Vem a fase da amamentação, medos, dúvidas e aflições de quem achava que a cena seria de gravura, de comercial do dia das mães. Neles ninguém menciona dores e rachaduras nos mamilos.

Não há regras, cada caso é um, mas é unânime que mesmo dando tudo certo, o período é de dedicação integral.


Palpites, essa é a fase em que os palpites só deveriam ser dados quando solicitados, mas em geral existem três a quatro formas ideais de fazer diferente do que você está fazendo. Coisas que vão desde a posição para mamar, arrotar, dormir, horários, refeições, tudo o que rodeia a sua nova rotina está sendo avaliado por olhos de terceiros. Acredite, eles não fazem por mal. Mas fazem mal.

E as vacinas? Temidas vacinas, que protegem, mas que serão, por vários meses, fator de temor pela possível reação, medo de efeitos colaterais, pesar pela dor que será causada, lágrimas de mãe e bebezinho. Mas passa, tudo passa.

Ainda aparecerão as brotoejas, haverá o dia da assadura, umbigo para tratar, dente para nascer, febre, espirro e tosse, pequenas alergias.


Ufa mamãe! Quando você menos esperar, aquele bebê, feijãozinho no ultra-som, soprará a primeira velinha ainda no seu colo, e em muito em breve, entrará em casa, despejando a mochila e abrindo a geladeira, faminto de tudo, de saber, de poder, de conquistar, de viver. E você mamãe de primeira viagem, nunca mais guardará sua malinha, sempre pronta a carregar as dores, dúvidas, culpas, porém, reserve o maior espaço dela pra carregar a imensa alegria de ver seu filho crescer e evoluir a cada dia, e, sobretudo, guarde a sua satisfação de saber que você deu e dará conta do que vier pela frente.


. Pathuca esta é pra você, dedico também a todas que estão carregando a mesma mala. Relaxem, vai dar tudo certo!

Previsão do Tempo -Nublado!

Tem gente que é como nuvem, quando sai da frente deixa o dia lindo! Outros que chegam pra nos tirar do sol escaldante, aliviando-nos o calor. Uns são carregados e chovem sobre nossas cabeças, outros nos entretem com suas mais variadas formas. A graça é que o céu muda a todo instante, permitindo que as nuvens se ajustem, se agrupem, mudem ou desapareçam, assim como os amigos. O importante é lembrarmos que, mais cedo ou mais tarde, seremos nuvem na vida de alguém. .

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Janeiro 2010 = Janeiro 2011 = tragédia anunciada





No início do ano passado, escrevi um texto, ainda na comoção dos acontecimentos da virada do ano. Não o postei aqui. Guardei-o para mim por no fundo me sentir muito penalizada por tanta tristeza envolvendo as mortes provocadas pelos deslizamentos de terra e enchentes.
Agora, um ano depois, decidi atualizá-lo e dividir com vocês este pensamento...


Mal iniciamos o ano e acordamos com o relato de tragédias em nosso país.

A história se repete, Janeiro de 2010, Angra dos Reis, morro do Bumba, Janeiro de 2011, região Serrana do Rio, Franco da Rocha em São Paulo, entre outras tantas cidades.
Saldo de mortes, desalojados, desabrigados, destruição.
Os noticiários dizem que a chuva castigou bairros, cidades, vilas.
Mentira.
A chuva não castiga ninguém, assim como Deus.
Nós, seres humanos prepotentes que somos, é que castigamos o planeta pra depois chorarmos sobre nossos mortos culpando a chuva, Deus e o azar.
Os que se salvaram carregam consigo a alegria de estarem vivos, com a culpa por estarem alegres, enquanto outros que estavam ali ao lado, se foram, morreram sem que tivessem a chance de socorro.
E nós continuamos, cobrindo o solo com asfalto, construindo casas nas regiões ribeirinhas, cobrindo os morros com alvenaria ao invés de vegetação.
E choramos, enxurradas de lágrimas pelos que se foram e pelos que ficaram, na mais absoluta miséria, por aqueles que perderam tudo, ou todos.
Quem dera as enxurradas das ruas levassem a dor dessas pessoas. Mas não. Essas levam lixo, do menor cisco de papel, descartado pela janela do carro, aos entulhos desprezados nas calçadas e sacos não recolhidos.
Que se guardem as lágrimas, pois infelizmente outros morros virão abaixo. Outras famílias se perderão.
As represas quase transbordando, represas feitas pelos homens, ameaçando devastar casas alojadas às margens dos rios, casas construídas pelos homens, aprovadas ou permitidas por seus governos.
O lixo, detrito dos homens, entupindo bueiros, retornando às casas, levados pela água que não encontra seu destino.
E os morros ainda vão chorar e derramar sua lama sobre nós.
Tomara seja sobre casas desapropriadas pelos homens, que inteligentes, terão percebido que assim não podemos ficar.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A baliza do vizinho


Pode reparar. Qualquer dia desses, a partir de hoje, se é que ainda não o tenha feito, preste atenção quando vir um motorista fazendo baliza para estacionar em uma vaga apertada, em meio a este trânsito louco.
Por mais que as pessoas reclamem da correria, sempre há tempo pra dar aquela paradinha e ver se o tal motorista será capaz ou não de se encaixar na vaga.
Se estiverem em par ou trio então, os espectadores do ato comentarão das habilidades ou falta delas, e lá está o pobre condutor suando em suas manobras, indo e vindo até finalmente entrar no espaço destinado, ou pior, desistir, dando vazão às risadinhas da platéia.

Sempre existiram as mexeriqueiras de plantão, as repórteres da gazeta da vizinhança, sempre dispostas a dar um furo e criar uma manchete nova.
A profissão de fofoqueiro se consagrou inclusive nas rádios e programas de televisão, onde os mesmos ganham dinheiro e fama futricando a vida dos famosos. Revistas especializadas fazem fortunas criticando vestimentas, sendo os olhos dos leitores em eventos e até mesmo num dia banal da vida de uma espécie sem privacidade, os artistas.
Mas sejamos realistas, só existe a categoria por existir o consumidor.

Há pouco mais de uma década surgiram também os reality shows, programas que pareciam ter vida curta, de acordo com especialistas, a cada ano ajustam suas formas e atraem mais e mais telespectadores sedentos pela observação do outro.
Nada de errado assistir a vida alheia, desde que não seja como o ditado prevê, que o macaco senta no rabo e ri do rabo do outro.

Assim se dá boa parte de nossa vivência em sociedade.
Vamos manobrando a vida, enfrentando nossas balizas, garagens, semáforos e ladeiras, sujeitos a avaliação de passantes.
Aqueles que caçoam, inadvertidamente, em breve terão oportunidade de realizar sua própria manobra, sujeitos também a dificuldades de percurso.
Fato é que só se aprende na repetição, na persistência, na observação, na correção do erro, seja para dirigir uma bicicleta, um carro ou a própria vida.
E voltando a vaga, faça baliza, raspe os pneus, pare de bico, suba na guia, afinal, estacionar é pra pouco tempo, o importante mesmo é se mover.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


A barriga cresce
Crescem os sonhos,
Um pulo no futuro,
Um filho.
Continuidade de duas histórias
História única, filho do mundo.

A barriga cresce
Crescem os medos
Um pulo no futuro
O filho
Medo das drogas, da violência
Filho único, medo do mundo.

A barriga cresce
Cresce a esperança
Que haja um futuro
Para mais um filho
Companhia para o outro
Mais um filho no mundo

A barriga cresce
E com ela a certeza
Que o nosso futuro
A Deus pertence
Que venham os filhos
Alegrar nosso mundo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Não tenho tempo!


Tempo
Como administrá-lo? Aceitá-lo? Controlá-lo?
O tempo passa, sempre passa.
Passará mais lentamente pra quem espera.
Uma resposta, uma carta, um resultado, um filho.
Voará quando nos divertimos
Uma festa, tarde de domingo, uma dança, um feriado.
O relógio objeto de controle, maquiavélico tictacteia a noite toda de insônia, marcando lentos segundos de tentativas frustradas de um sono bom.
Salta aos pulos quando o prazo limite chega próximo ao fim, enlouquecendo os atrasados, encharcando suas veias de adrenalina, tão vital quanto letal.
Tempo escasso pra amar, pra namorar, pra curtir.
Tempo imenso desperdiçado em longas horas no trânsito engarrafado.
Tempo bom os dez minutos a mais na cama a cada manhã.
Tempo de dar um tempo
No romance que acabou.
No trabalho que se esgotou.
No computador que travou.
Pausa.
Tempo de se dar tempo
Pra renovar o amor
Resgatar amizades
Retocar a maquiagem e seguir com o dia.
Haja tempo pra tudo.
Cinco minutinhos pra abrir o e-mail de piada durante ao expediente, roubando o tempo do trabalho.
Tempo pra checar aquele e-mail de trabalho durante o jantar, roubando tempo de nossa vida pessoal.
Tempo de o poeta escrever para o leitor que nem tem tempo de ler.
Áudio livros que tomarão a mente dos que se encontram presos nos carros, distraídos em meio à narrativa, deixarão de lado seus xingamentos e pragas aos rivais de trânsito.
Tempo de comida pronta, rápida, insossa, gorda, que alimenta, mas não satisfaz.
Quem tem tempo pra passatempos?
Inventarei um novo termo, um “catatempo”, um “guarda-tempo” que nos multiplique o minuto investido, nos devolvendo em dobro.
Encontro aqui um tempo, pra pensar sobre coisas tantas e espero, da mesmo forma, você tenha tido tempo de lê-las.
Bom catatempo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Sorriso da lua


Parada no semáforo, voltando pra casa após um dia de trabalho e uma noite de excursão em busca de itens faltantes para o lar.
Novo lar.
Mudar de casa foi para mim um desafio.
Nunca havia me mudado. Sai da casa dos meus pais com as malas de roupas e pertences, para iniciar minha vida de casada num apartamento bom o bastante para abrigar um casal cheio de vida, de amor e sonhos.
Treze anos depois já éramos quinze sob o mesmo teto, nós dois, mais um casal de filhos, duas cachorrinhas, dois jabotis, quatro Calopsitas, três Agapornis, sem contar nossos lindos peixes de nosso aquário marinho.
Mudamo-nos para uma nova casa.
Entre caixas e bagunça, carregamos um sorriso nos lábios, limpamos o novo espaço, desfizemo-nos de coisinhas sem sentido, aquilo que guardamos apenas por falta de tempo de decisão. Organizamos nossos cômodos, espalhando um pouco de nós a cada dia, a cada momento em cada pedaço deste novo lar.
Exaustos, percebemos que a batalha, apesar de boa, é árdua e parece não ter fim, mas o sorriso permaneceu ali, e no rosto dos amigos, que nos visitam tão felizes por nossa conquista, como nós mesmos.
Rotina ajustada, roupas nos cabides, uma nova cortina aqui ali, um vaso de planta, um tapete, vamos todos nos acomodando sob este novo teto, que é o antigo de outros, agora ganhando novas cores, usos, abrigando novos projetos porém o mesmo amor lá do início.
Eu no semáforo.
Olhando o vermelho que me impede de ir, busco o verde do meu pisca-pisca acenando que pretendo virar à esquerda, penúltima curva antes de chegar a casa. A luz amarelada da rua me indica um lugar pra olhar. No céu, a lua sorri pra mim.
Sorria para todos que a enxergassem, sorriso do gato da Alice no país das maravilhas.
Não sei se mingua ou cresce, não entendo de lua, mas ela me encheu. Lua cheia de graça, sorte minha que a vi.
Sorri de volta, e a saudei a distância ao fechar o portão, enquanto lá de dentro já pude ouvir o barulho da família – “Mamãe chegou!” em gritinhos e latidos.
- “Boa noite lua”.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010


Um tapinha não dói?

Que a vida passa rápido, ninguém duvida, mas o que nem sempre nos damos conta é que tudo aquilo que fazemos diariamente, em nossa medíocre rotina, passa a ser um padrão de comportamento, a ser, muito provavelmente, adotado por nossos filhos, assim como nós herdamos parte de nossa forma de viver, simplesmente pela observação da repetição de nossos pais.
Escovar os dentes antes ou depois do café da manhã, cada casa com seu ritual. Tomar banho pela manhã ou à noite, dormir de pijamas ou de roupa de baixo. Falar bom dia, beijar no boa noite, rezar antes das refeições, beber água direto da garrafa da geladeira, dormir no sofá da sala, pedir a benção.
Hábitos. Certos ou errados? Hábitos.
Nas menores coisas, nós pais temos que estar atentos. Qualquer deslize não será perdoado em nossas cobranças futuras, afinal nós somos os chamados “responsáveis”.
Costumo dizer que erraremos, é fato, mas se estivermos alertas a tudo como se vigiados por câmeras ocultas, faremos sempre de forma mais zelosa, cuidadosa, e provavelmente erraremos menos.
A era do – Não, porque não! Praticamente acabou. Hoje temos argumentado com nossas crianças, o que os tornam mais críticos, nos torna mais democráticos, mas certamente nos dá mais trabalho.
Dizer a um filho “não pode”, e ao ser questionado do porque, respondermos – “Porque não”, “porque eu não quero”, é hoje tão brutal quanto uma palmada. Lembra a hierarquia familiar dos que mandam e dos que obedecem. Remete a ditadura.
Porém, nem sempre há justificativa na ponta da língua. Nem sempre estamos dispostos a argumentar, gastar saliva com conversa boba. Então leia-se “ Porque eu mando e pronto” como quem diz “não quero mais perder tempo com isso”.
Assim também é a palmada.
Hoje em vias de ser proibida, como recurso educacional, a temida palmada agora será crime.
Se estamos no caminho certo ou errado, o tempo dirá. Certo é que palmadas não fizeram os moleques danados da minha família deixarem de ser peraltas, do contrário, teriam apanhado uma única vez na vida.
Fato é que várias pessoas como eu nunca precisaram levar uns tapas.
Verdadeiro é que muitas crianças estão sendo espancadas até a morte, casos escabrosos que surgem nos noticiários de TV a cada semana.
Se a lei da palmada vai ajudar com que as famílias repensem seus hábitos, refaçam seus laços, organizem seus limites através do diálogo, não sabemos. Mas certo é que terá sido válida se puder poupar a vida de uma única criança.
A lei tornará cúmplice aquele que não tomar conhecimento e não denunciar. Vizinhos, ditos “enxeridos” estarão salvando a vida de crianças incapazes de defesa.
E nós pais, avós, professores, educadores, babás teremos que saber que nossa tarefa é sim tão séria, difícil, trabalhosa, quanto prazerosa. O ônus de educar, estar atentos ao certo e ao errado, aos limites, a liberdade controlada pelo bom senso.
Lições de respeito que começam com as palavras mágicas: Por favor, e obrigado.
Lições de autocontrole, de rotina, de conversas, de cuidados e atenção, tarefas diárias, que construirão relacionamentos firmes, estáveis, seguros, de confiança e amor.
Que venha a lei, que venham as mudanças e que estejamos todos no caminho certo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Dia dos Pais, dia festivo na maioria das famílias, dia de saudade em tantas outras e paira no ar de alguns lares uma sombra, que não tem nome certo, angústia, tristeza, frustação, culpa, decepção, daqueles que ainda não puderam festejar este dia como tão esperado.

Hoje é dia de celebrar.Cumprimente este homem que será um dia pai, e diga, ou escreva, que quando chegar a hora, ele será por certo um pai daqueles! Pai presente, companheiro, amigo, protetor, assim como já o é, enquanto marido.Não deixem que a mágoa da perda atormente suas mentes hoje.

Celebrem os pais vivos, avós, tios, padrinhos, celebrem a oportunidade de mais um almoço em família, de mais um Domingo, porque a vida é breve.Um grande abraço aos pais, os que já são, os pais novos, e os que serão, no tempo certo.
Bom Domingo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mamãe também escreve!!!


Minha mãe é um pessoa incrível, além das palavras, sorte a minha.
Além disso ela também escreve.
Coloquei aqui um de seus textos, direcionado a amigas, mas válido para todos.




Juliana, Andrea e Lucia,

Às vezes penso que todos nós somos neste mundo, caminheiros. Sim, igual aqueles peregrinos que caminham para chegar a Santiago de Compostela.
Nossa meta é a mais longa, porém, temos somente o ponto de partida, não o de chegada.
Não sabemos quando e onde chegaremos ao final da jornada, apenas seguimos caminhando, dia a dia.
Nesta estrada vamos fazendo companheiros, que caminham conosco. Nossos pais, nossos avós, maridos, esposas, filhos, netos, irmãos, tios, primos, sobrinhos, compadres, afilhados, médicos, enfermeiras, professores, vizinhos, amigos, em uma grande romaria de pessoas que passam por nós, vão mais a frente, ao lado e outros logo atrás, uns se perdem na distância, e conforme caminhamos outros vão surgindo.
Às vezes a paisagem fica tão bonita e fazemos uma pausa, num verdadeiro oásis, é quando acontecem os encontros, casamentos, festas, natais, nascimentos, aniversários, viagens, alegrias compartilhadas.
Mas a caminhada tem que continuar, então, deixamos pra trás esses momentos e seguimos.
De vez em quando a paisagem muda, fica árida, triste e seca. O céu se carrega de cinza, vem a dor e o cansaço, o desânimo, as lágrimas.
Paramos, não queremos mais seguir.
Então aparecem ao nosso lado todos os nossos companheiros de andança, que com palavras carinhosas e mãos estendidas, nos animam a levantar daquela pedra, em que nos sentamos, derrotados e nos fazem andar novamente, seguir a caminhada, nos fazendo ver que logo ali, na frente, tudo vai mudar. O céu voltará a ser azul, o sol brilhará sobre as flores que encontraremos no caminho.
Ouviremos o cantar dos pássaros, com certeza, um bem te vi bem vindo.
Ouviremos as gargalhadas das crianças que nos rodeiam, veremos os sorrisos dos amigos e sentiremos novamente a felicidade em caminhar com toda essa gente que Deus colocou em nosso redor.


Então, vamos lá meninas, é logo ali...


Um abraço.

Nilvia Victorino Mendonça


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Bebê anjo


Então...
A gente pisa em porcelana chinesa, pra não magoar quem a gente gosta, e às vezes magoa sem saber.
Não dá pra tocar adiante, fingindo que nada aconteceu, falar sobre banalidades quando alguém próximo está com a vida revirada, foi atropelado pelo bonde do acaso, pelo trem da tragédia, e a gente achando que colocando um band-aid colorido e comprando um sorvete tudo vai passar.
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Nesta segunda nasceu um bebezinho que de imediato já voltou aos braços de Deus.
Chamado anjinho, por sua beleza prematura, chamado anjo pela enorme presença que teve na vida dos que o cercaram, tocando de forma definitiva sua família.
Famílias, originalmente duas, de pai e mãe, mas finalmente várias, de amigos, se uniram em prece por este bebê, e foram tocadas por sua vida breve.
Semanas de vida bastaram para que Enzo conhecesse o que muitas pessoas nem chegam a desfrutar. O amor.
Incondicional amor de pais, que o desejaram, que pediram por ele, que fizeram seus planos, que o amaram desde o início e o amarão por toda a vida.
Amor de familiares, que pediram por sua vida, por sua saúde, inconformados tiveram que assimilar que nem tudo é como a gente quer, mas que tudo acontece como tem que ser.
Enzo tocou casas e corações.
Fez com que cada um de nós olhasse pra dentro de si, buscando respostas, fez com que cada um olhasse para o lado buscando consolo. Fez com que buscássemos o novo, rasgássemos receitas prontas de respostas vazias, e acima de tudo aceitássemos que não há um porque em tudo, mas há uma para que em quase tudo.
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Obrigada Senhor por este bebê, agora e sempre anjo.
Força Juliana e Ricardo, porque foram escolhidos para serem pais, e este é um aprendizado pra toda a vida, amar incondicionalmente, aceitar incondicionalmente e suportar o que a vida nos apresentar.
Um beijinho Enzo, volte logo.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Minha amiga Polvo



Eu tenho uma amiga polvo.
Não é famosa como o animal que previu
Os resultados dos jogos da copa.
Mas minha amiga, ser cefalópode,
possui inúmeros braços, mas não tantos quantos seus talentos.
Braços capazes de cuidar de tudo e todos ao mesmo tempo.
Chamei-a de polvo pela primeira vez
Quando a vi dirigir, falar ao telefone e maquiar a filha que levava para uma apresentação de balé. Perdoado o telefonema, pois ensinava o caminho aos familiares desavisados, ou estes perderiam o espetáculo.
Alcança na bolsa grampos, enrola o coque em meio ao gel que aplica na cabeça da bailarina mirim. Retoca seu próprio batom, estacionando o carro, carregará bolsas, fantasia e filhos, acenará a uma conhecida e entregando os convites ao porteiro, abraça a filha já na porta dos camarins. Bela, estará em segundos refeita, ajeitando as madeixas, em pleno salto, chegará inteira ao teatro.
Mulher polvo deu conta de tudo mais uma vez.
Eu, orgulhosa, assisto admirada sua maestria de movimentos.
Descubro nesta definição da pessoa o porquê de sua flexibilidade, seu ajuste, sua habilidade de se moldar a vida.
Polvos não possuem esqueleto interno ou externo, o que lhes permite os ajustes ao meio. Além disso, é sabido de sua incrível habilidade de camuflagem, recurso de auto preservação.
Com visão binocular, minha amiga polvo enxerga mais do que o que se vê.
Vai além, vê a fundo o que se passa.
Quando ameaçada, usa o recurso de autotomia, como fazem as lagartixas, a fim de fugir de seus inimigos, larga braços para trás, escapando dos predadores de sua infindável amabilidade.
Refaz-se e em breve, pronta para novos abraços se faz forte.
Um abraço pra você querida amiga polvo.
Quisera eu fosse de oito braços, pra que você se sentisse hoje acalentada em seu momento de colo, mas caiba nesses que te amam e se juntam em prece pra que você se sinta bem, muito em breve.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Rios, mares, lagos e saliva


Passamos nossos primeiros meses de vida na água.
Envoltos na bolsa amniótica, estamos protegidos pelo líquido vital, que abundante nos permitiu crescer em temperatura agradável e constante, livres de abalos, de tudo o que nos pudesse ser desconfortável.
Rompe-se a bolsa, rompe-se um primeiro laço, abrimo-nos para o ar, sofrida respiração que nos faz chorar, no susto, sabemos agora sobreviver a seco.
Seco toque.
Em meio a ruídos claros, descobrimos um mundo novo de sensações, que por toda a vida serão fundamentais para fazer de nós quem somos.
A água agora nos mata a sede. Esta que representa setenta por cento de nosso corpo, similar ao nosso planeta, brota da terra, vem do céu, enche copos, escorre de nossos corpos, em suor e choro.
Choram os morros, lavam de lama casas e vilas, água rebelde não tem por onde escapar.
Choram mães, mulheres e homens por águas que rins não conseguem filtrar.
Água retida que engorda a moça.
Água brinquedo de menino em forma de poça.
Água benta, cura dos males.
Água salina, salobra, salgada dos mares.
Rios, lagos, riachos e saliva.
Água da boca.
A mesma que ajuda a digerir, fluidifica o que se come, enlaça o beijo, junta os amantes, separa em uma cusparada os inimigos.
Água do batismo, purificação do espírito.
Água de cheiro.
Fria, gelo. Quente, vapor. Água, simplesmente água.
Água que banha, lava o corpo, remove o cansaço, liberta.
Águas quentes, Caldas Novas, Goiás, que saudade deste lugar.
Encontrei em suas águas mais que o repouso. Encontrei a volta ao lugar de origem, ao calor e proteção da bolsa original.
Cuidada, me deixei lavar e levar, regada a amor, retorno refeita.
Respiro o ar, que agora já não me faz sofrer, sonhando com meu breve retorno ao seu ventre.
Obrigada, mãe água.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O Relacionamento e o Ovo


Que não é simples manter um relacionamento, isso todo mundo já sabe. Há também quem diga que não sabe nem fritar um ovo. Cuidado.
Ovos e relacionamentos amorosos são parecidos.
A fome está lá, e seu ingrediente não poderia ser mais simples: um ovo.
Como prepará-lo?
Podemos cozinhar nossa preciosidade, em água, um recipiente ao fogo, nada demais. Mas qual a temperatura? Por quanto tempo? Se o coloco em água fervente, se racha, deixando esvair por sua casca sua clara já branca, tornando-se aguado e mal cozido. Erro na precipitação, perco meu bem precioso.
Deixá-lo em água fria, fogo baixo, aguardando pela fervura, temendo por novas rachaduras o retiro ao menor sinal de calor extremo. Descubro um ovo ainda cru, inconsistente, imaturo. Não era o desejado.
Penso em torná-lo gemada. Farei pouco por ele, desperdiçando o que julgo impróprio, ficarei apenas com a gema, que será batida com açúcar, para que ganhe algum gosto. Temo pela salmonela na gema crua, aborto a idéia.
Opto por um simples ovo frito.
Simples? Aqueço o óleo, não pouco pra não permitir que se misture ao ovo, não muito, para que não espirre longe, me causando queimaduras.
Despejado o ovo sobre a chapa quente, preciso zelar por ele. Preciso neste instante decidir o que quero, qual minha vontade, o que é o melhor pra mim. Se hesito, na busca por um ovo mole, deixo passar o tempo e terei que me contentar com um ovo esturricado. Gema dura, seca, bordas douradas, ou já enegrecidas ao ponto irreparável. Se era meu gosto, ótimo, engulo do jeito que dá, tomo cuidado para não engasgar com tamanha secura.
Mas se o desejado era um ovinho mole, de gema líquida, pra ser chuchada por um pãozinho amanhecido, perdi a mão.
Relacionamentos são assim, às vezes passam do ponto. Cabe aos interessados o cuidado, ou então a decisão de matar a fome com o que restou de sua experiência.
Por isso mesmo recomendo um bom omelete.
Aquele do qual nada se espera. Sim porque omeletes são ótima opção pra fazer com o que se tem a mão. Se este é o único ovo, aumenta-se com água. Tem um pouco de queijo, um restinho de frios, um tempero qualquer? Um omelete está pronto. Além do que, na pior das hipóteses, se você percebe que não tomará forma, este ainda pode virar ovos mexidos.
Mexa-se, portanto em seu relacionamento, decida-se, cuide, não ferva, não esfrie, não deixe passar do ponto, acrescente ingredientes disponíveis, e de vez um quando uma boa mexida faz milagres!
Bom apetite.
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terça-feira, 22 de junho de 2010

New look!

Nada como mudar o visual!
Uma maquiagem, um corte de cabelo, roupas novas, ou mesmo um novo perfume podem transformar um dia, uma noite, uma vida.
Renovado o visual do blog, renovada a vontade de trocar idéias.
Participem, e me digam se gostaram.
Boa semana amigas!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Amuletos e Outras Histórias


Estou elaborando um livro que fala sobre o resgate de tradições, de costumes e hábitos familiares que passam de geração em geração sem nos darmos conta, e que infelizmente outras vezes se perdem por simples descuido nosso, que atribuímos a nossas vidas corridas, a desculpa por não fazermos nosso papel na transmissão do conhecimento e da experiência aos nossos sucessores.
Não é tão difícil assim lembrar-se de uma comidinha especial que sua avó, ou tia, ou madrinha preparava, não é mesmo? Aquele bolo, aquele doce, aquela torta que nunca ninguém mais fez igual.
E a história que contavam? E as brincadeiras que faziam? Será que você está repassando aos seus filhos algum desses ensinamentos?
Pensando nisso refleti sobre velhos hábitos, coisas como pedir a benção. Pouca gente usa hoje em dia, mas era algo comum e respeitoso.
Um simples chá com biscoito a tarde, em casa eram bolinhos de chuva, tudo aquilo que um dia fez sentido em sua vida, precisa ser passado adiante, para que tenha a chance de ser vivido por outras gerações, que buscarão suas próprias lembranças no cotidiano enlouquecido atual.
Assim, me lembrei de nossas antigas avós, em um dia desses, de frio, deste outono que já flerta com um inverno mal-humorado.
Baixou em mim a falta de ânimo, aquele mal físico que faz doer o corpo, e enferruja o humor.
Enquanto encarava o guarda-roupa na espera que algo pulasse de lá, direto para o meu corpo, vislumbrei o que me era familiar, e óbvio, reconfortante. Um xale.
O xale que no passado fazia parte da vestimenta feminina, fez soar a minha campainha em busca de algo.
O passado, a proteção, o cuidado. Os xales tricotados por mãos habilidosas que cuidavam de tudo, que davam conta, que multiplicavam-se em seu zelo encontrando linhas e fios de pensamentos em suas horas vagas.
Tomei pra mim um xale, como um talismã.
Meu amuleto de sorte me proporcionou um abraço reconfortante, seria para mim uma proteção, contra os males, contra o frio, contra qualquer outra coisa que teimasse cruzar meu caminho que não para me fazer o bem.
Tomada pelo abraço de várias gerações que ali se fizeram presente, no calor da lã, na mente, e no coração, saí de casa restaurada, certa de que somos realmente eternos, se assim o desejarmos ser.
Um abraço desses para você! Boa semana.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Voz da Solidão



Falando as paredes não ouço nada.
Ergo a voz e na solidão do espaço vago pareço escutar algo.
Elevo minha voz, e percebo que a outra se eleva.
Reconheço-me nela, fala minha língua, sente minha dor.
Grito, ela me responde o grito da mesma busca, a busca por alguém que a compreenda.
Berro e peço que se cale, já não suporto ouvir sua agonia solitária. Ela ordena que eu me cale.
Acho que ela também não tolera saber que estou tão só.
Obedeço.
Cala-se o eco, me calo.
Nada ouvem as paredes.


Ninguém está livre de se sentir só.
Inevitavelmente a tristeza bate a nossa porta e entra, mesmo sem permissão.
O que não podemos é convidá-la a sentar, a ficar, não podemos ser cordiais com a tristeza para que esta visitante indesejada não se instale em nossas vidas, fazendo seus os nossos aposentos, sugando nossa energia, alimentando-se de nossa luz, de nossa criatividade e do que chamo de “força vital”.

A depressão é reconhecidamente uma doença, palavra pesada, ou no mínimo um desarranjo químico, uma disfunção tratável, de origem sabe-se em parte genética, com estopins variados. O que sabemos mesmo sobre a depressão, além de sua ação devastadora sobre o ser humano, sobre a auto-estima e as relações pessoas é que ninguém merece conviver com ela, ninguém escolhe viver com ela, mas ninguém pode negar a sua existência.

Já a tristeza, aquela angústia, aquela sombra que paira sobre nós em algum momento, um dia ou outro, essa podemos tentar compreender. Humanos que somos, estamos sujeitos a ela. Seja pelo que nos acontece, ou pelo que acontece com os que nos cercam, os que amamos. A tristeza, o luto, a perda devem ser cuidados, compreendidos e sanados, apoiados sempre pelo tal ditado que diz : Nada como um dia após o outro.

Triste sozinho? Triste acompanhado? Faça sua escolha, mas não hesite em mudar de idéia.
Amanhã tudo ficará melhor. Acredite, lute, melhore.
Até amanhã.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010


Originária de uma mistura de sabe lá o que com mais alguma coisa,
As chamadas escovas inteligentes mudam de nome a cada estação.

Escapei da escova japonesa, a primeira, difundida em larga escala a partir do uso pela apresentadora Fátima Bernardes que por pouco não teve que se afastar do trabalho por impossibilidade de tirar as madeixas do rosto enquanto apresentava o telejornal.

Em pouco tempo o nome ajustado para escova progressiva, veio cheio de promessas por um cabelo mais liso. Aplicado o produto, profissionais e clientes choravam em meio ao vapor produzido no contato com o secador de cabelos. Nós clientes, olhos vermelhos e cabeleira lisa, saíamos sorridentes do salão, fugindo de todo e qualquer contato com água pelos próximos 3 dias, nada de tiaras, grampos, ou colocar atrás da orelha.
Lambisgóias lisas e meio sujinhas.

Apelidadas por algumas de escova agressiva, a técnica evoluiu um pouquinho, assim como os profissionais se aperfeiçoaram na tática de realizá-la ao ar livre, máscaras no rosto, toalhas úmidas para a cliente e a promessa de que a meleca do pote não é nem radioativa e nem ácido corrosivo. O resto deixamo-nos passar, ainda que seja titica de galinha, se a jura for de brilho e maciez estamos dentro.

Agora busco um novo tipo de escova para meu cabelo, a Escova Compreensiva.
Uma técnica que entenda que meu cabelo reflete o meu humor, ou vice-versa.
A escova compreensiva deixará meus cabelos fáceis de manusear, domados, flexíveis, macios, cheirosos, brilhantes, suaves ao toque e ajeitados logo pela manhã, independente se o dia estiver seco ou úmido, se eu estiver de TPM ou se for Segunda-feira.


Sua vantagem vai além, só precisa ser feita anualmente e não requer nenhum xampu especial, ou creme de tratamento importado, não se desgasta no mar, nem sofre com o cloro.

Ah, escova compreensiva... seja também escova persuasiva...e me convença de que a moda dos cachos voltou...!


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